O suporte nutricional e o câncer de próstata

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Novembro é um mês em que as atenções estão voltadas aos homens. No último dia 19 de novembro comemorou-se o dia internacional do homem. O mês ganha cor azul e uma campanha mundial dirigida ao público para conscientizar a respeito à prevenção contra o câncer de próstata, a segunda maior causa de mortes entre homens no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), os quais mostram que a doença mata 14 mil pessoas a cada ano no País, ou seja, um em cada seis homens têm câncer de próstata.

A Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), baseada em evidências científicas, defende que alimentação saudável, exercício físico e manutenção do peso são os pilares na prevenção do câncer de próstata.

Além do imprescindível “exame de toque” anual, é possível também prevenir a doença mudando alguns hábitos, a começar pela alimentação. Assim como a maioria das neoplasias, o câncer de próstata também tem relação com o histórico familiar e o estilo de vida. Por exemplo, homens que têm parentes de primeiro grau com a doença, estão acima do peso, têm alimentação ruim, são tabagistas e sedentários, têm uma propensão maior à doença. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que de cada 100 casos de câncer no Brasil, 13 estão associados ao sobrepeso e obesidade.

Determinados alimentos podem ajudar a proteger o organismo, outros aumentam as chances de os tumores se desenvolverem. Os principais alimentos que ajudam na prevenção e até no tratamento da doença são os que contém licopeno (substância responsável pela cor avermelhada), que pode ser encontrado no extrato de tomate. Algumas evidências mostram que uma dose de 20mg a 40mg por dia da substância pode ajudar a evitar ou tratar o câncer de próstata. Outros alimentos que contém o licopeno são a melancia e a goiaba. As crucíferas (vegetais como o repolho, a couve-flor e o brócolis) também ajudam a prevenir a doença, uma vez que possuem propriedades antineoplásicas. Além disso, outra questão da doença são os radicais livres, moléculas que promovem a oxidação das células. Por isso também é importante tomar antioxidantes por meio dos alimentos que têm vitamina C, como acerola, goiaba, morango e até mesmo a laranja, embora das frutas cítricas ela seja a que tem menos vitamina C.

Como complemento à mudança de hábitos, a recomendação é manter um bom padrão de sono, dormindo por pelo menos oito horas e de forma interrupta para acordar bem, praticar atividade física regularmente, reduzir o consumo de alimentos enlatados e industrializados e eliminar o cigarro.

Mas vale lembrar que essas recomendações devem ser complementares ao tratamento oncológico para quem já tem a doença e, para quem não tem, além desta mudança de hábitos, os exames de rotina são indispensáveis.

Isso porque o alto índice da doença é também fruto do preconceito masculino com o exame de toque, essencial para o diagnóstico. O levantamento do Inca mostra, ainda, que metade dos brasileiros nunca foram a um urologista. No entanto, a única forma segura de se precaver da doença é a consulta clínica. Homens a partir dos 50 anos devem realizar o exame anualmente. Já os que têm histórico de câncer de próstata na família devem começar o controle mais cedo, a partir dos 40 anos.

Seja por meio de quimioterapia, radioterapia ou hormonioterapia, o tratamento do câncer pode provocar efeitos colaterais que interferem na dieta do paciente. O tumor e o tratamento fazem o metabolismo da pessoa gastar mais energia e, ao mesmo tempo, perder o apetite, o que pode provocar desnutrição. Junto a isso, o tratamento pode causar náuseas, diarreia, falta de salivação, alteração no paladar, dificuldade de mastigar e digerir os nutrientes. A atuação do médico nutrólogo, em parceria com um nutricionista, é extremamente importante, pois o paciente oncológico precisa de um suporte nutricional.

Aline Longatti

Médica nutróloga / Clínica Longatti Vitae