O médico e o cooperativismo

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Por Raimundo Nonato Leite Pinto

O desafio de um país é aproveitar a sinergia evolutiva de categorias sociais e profissionais para, ao mesmo tempo, evoluir a sociedade. Participar destes processos é um engrandecimento para qualquer cidadão ou categoria. A convergência da medicina com o cooperativismo já tem uma história valiosa escrita no desenvolvimento econômico e social do país. A área médica foi uma das alavancas para fortalecer o cooperativismo de trabalho e, depois, financeiro brasileiro.

O papel das cooperativas médicas e sua evolução, se fortalecendo como planos de atendimento à saúde da população, reforçou ao médico no Brasil um diferenciado posicionamento social, em todo país, algo que organicamente ocorreu com poucas outras categorias profissionais.

Os médicos acumularam, em várias décadas deste robusto sistema cooperativista, aprendizado valioso por conta deste formato de integração, ganhando também uma nova maturidade empreendedora e autônoma, unidos em organizações sem fins lucrativos que sempre entregaram serviços médicos de qualidade para nossa sociedade.

As cooperativas médicas, como as Coopanestes e Unimeds, sempre foram controladas pelos próprios médicos, que são seus sócios e proprietários. Essa visão, até simples vista de hoje, durante toda dinâmica de sua construção, transformou vidas, histórias e profissionais. Assim como a academia é de relevância fundamental e insubstituível, o mercado de trabalho passou a ter o associativismo, o cooperativismo, como uma das melhores referências da prática profissional.

Mas este não foi o passo definitivo na relação da carreira médica e o cooperativismo. Após décadas de sucesso e respeito conquistado no cooperativismo e enfrentando os desafios do mercado de saúde, os médicos avançaram para a abertura de cooperativas financeiras, criadas pelos médicos cooperados, que já bem-sucedidos nas cooperativas de trabalho, responderam também pela evolução e forte expansão do cooperativismo financeiro no Brasil, sendo um marco relevante, dada a seriedade e respeito da categoria na sociedade.

O cooperativismo financeiro, regulamentado pelo Banco Central do Brasil, segue, na área médica, as mesmas normas aplicáveis a todas as cooperativas de crédito do país. As cooperativas já tinham bons motivos de existir como foram planejadas, e foram alcançando novos propósitos durante seu avanço, como oferecer programas de capacitação e treinamento para os seus membros, o que, durante estas últimas décadas, promoveu uma cultura na área médica de melhoria e controle das tomadas de decisões financeiras, com profissionais mais informados e conscientes. Foi um marco da educação financeira organizada no país.

Além de tudo, com maior justiça financeira, princípio básico do cooperativismo. O acesso facilitado a serviços financeiros de qualidade, como linhas de crédito, investimentos e seguros, com taxas de juros mais baixas e melhores condições de pagamento. O médico também passou a ter mais ferramentas e suporte para ter, em sua cooperativa, um domínio do controle de gastos, investimentos e gestão das suas contas.

A relação do médico com seu trabalho e com as finanças teve grande influência do cooperativismo, o que foi generalizado, ocorrendo em todo Brasil. Essa influência positiva é uma vitória autônoma, independente e real dos médicos – feita de dentro para fora, sem influência ou força de outras áreas em nossa profissão. O médico, profissional destacado no meio social como muito trabalhador e organizado, e visto como uma profissão diferenciada no país, encontrou no cooperativismo bons caminhos para seguir sua trajetória de boa avaliação social – mesmo estando acima da média de remuneração da maioria das categorias, alcançou respeito e admiração, sem ter uma imagem antipática ou negativa. Pelo contrário, é uma profissão acolhida pela sociedade. Esse envolvimento mostra que as cooperativas de trabalho balizam a remuneração médica nas cooperativas de trabalho médico, e as cooperativas financeiras balizam o mercado financeiro, proporcionando ganhos aos médicos cooperados e até mesmo aos não cooperados.

Diga-se de passagem que estas teias de relações entre médicos e união cooperativa foram, cada vez mais, se fortalecendo dentro das cooperativas, tendo também um papel social, pois uniu e aproximou mais os médicos em eventos, ações sociais, relacionamento de negócios, entre outros.

E, por fim, podemos dizer que dezenas de frutos surgiram desta boa relação, área médica e cooperativas, que, na ponta, representa também benefícios aos pacientes, pois ajudam a garantir uma assistência médica de qualidade, com profissionais capacitados e equipamentos modernos.

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Raimundo Nonato Leite Pinto

Médico infectologista, ex-presidente do Cremego e presidente do Conselho de Administração da Central Sicoob Uni.