Coluna do Freitas: Banco Central contra o Brasil

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(Crédito da foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Em primeiro lugar, esse espaço se solidariza com o povo do Rio Grande do Sul que está sofrendo com a calamidade que abateu o estado. O povo brasileiro vem dando uma demonstração de solidariedade apoiando e doando para os desabrigados.

A histeria do mercado financeiro apontado na coluna da semana passada teve eficiência no sentido de influenciar a decisão do Banco Central no Brasil, na reunião de ontem do COPOM. Por 5 votos contra 4, o BC resolveu reduzir a taxa de juros em 0,25 ponto, quando da reunião anterior ele sinalizou que teria mais uma redução de 0,5 ponto. Os diretores do BC ficaram divididos pela votação de 5×4, venceu a histeria do mercado financeiro.

Com essa redução a taxa básica de juros passou de 10,75% para 10,25% ao ano, sinalizando uma taxa de juros reais acima de 6% ao ano, considerando a projeção de inflação para os próximos 12 meses de 3,60%. Diferente do Banco Central americano o Banco Central brasileiro só tem um objetivo administrar a política monetária para conter a taxa de inflação, já nos EUA, além desse objetivo, o BC americano tem o objetivo de promover o crescimento da economia.

Com uma taxa de juros reais acima de 6% a atividade econômica produtiva fica extremamente prejudicada, principalmente aquelas que dependem de crédito. Não é à toa que as grandes empresas do varejo estão em dificuldades, Lojas Americanas, Casas Bahia, Magazine Luiza e outras. O crescimento do PIB do Brasil corre sério risco de reduzir a sua intensidade.

Então podemos perguntar por que o BC do Brasil mudou de posição quanto ao tamanho da redução das taxas de juros? O BC é totalmente influenciado pelas previsões do mercado financeiro, que conforme já citado aqui várias vezes tende a errar muito nessas previsões. Com a histeria da semana passada o BC acabou sendo influenciado. Outra pergunta, quem ganha com essas taxas altas de juros reais? Somente um exemplo, o resultado do Banco Itaú do 1º. trimestre de 2024 foi de R$ 8 bilhões, crescimento de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. Poucas empresas produtivas terão crescimento deste montante, demonstrando que hoje as empresas financeiras são as maiores beneficiadas desta política monetária do Banco Central.

As projeções realizadas no relatório Focus divulgado no dia 03 de maio trouxeram pequenas variações em relação à semana anterior. Para o PIB de 2024 houve aumento da previsão de 2,02% para 2,05%, houve manutenção das previsões para os anos de 2025, 2026 e 2027 em 2%. Já para a inflação, a previsão de 2024 reduziu de 3,73% para em 3,72%; 2025 aumento de 3,60% para 3,64% e 2026 e 2027 mantiveram-se as projeções de 3,50%.

As projeções da Taxa Selic sofreram alterações, 2024 de 9,50% para 9,63%, 2025 manteve em 9,00%, e 2026 e 2027 mantiveram-se em 8,5%. Com o aumento das previsões da Selic e o mesmo com o aumento da previsão da inflação para os próximos 12 meses de 3,56% para 3,60%, a taxa de juros reais da economia, calculada pela coluna aumentou para 6,08% ao ano. A taxa prevista para o final do ano, com Selic em torno de 9,63%, equivalerá taxa de juros reais de 5,92%, ainda acima da taxa de juros reais neutra divulgada pelo Banco Central que é de 4,5%. Portanto essa é a tendência das taxas de juros reais do Brasil, porém, para esta coluna é de que ela se estabilize em torno de 8% ao ano e não em 9,50% ao ano até o final do ano de 2024, desde que haja coerência pelos agentes financeiros.

Quando se analisa a curva de juros do Brasil para os próximos anos, o mercado oscilou para baixo as suas previsões: janeiro de 2025 em 10,185%; janeiro de 2026 em 10,375%; janeiro de 2027 em 10,665%; janeiro de 2028 em 10,94%; janeiro de 2029 em 11,14% e janeiro de 2034 em 11,50% (Cotações – Juros Futuros – Ferramentas | InfoMoney), os juros reais inclusos nessas taxas são de 6,67% ao ano.  Já as taxas dos títulos dos Estados Unidos foram negociadas para 2 anos é de 4,816% e para 10 anos é de 4,465% ao ano, apresentando aumento em relação à semana anterior. A redução das taxas os Estados Unidos da América reduziram em função do pronunciamento do FED na semana passada. Os indicadores de emprego foram menores do que o previsto, sinal de que a economia está reduzindo seu crescimento e portanto a expectativa de menos inflação e em consequência a possibilidade de se reduzir os juros pelo FED em 2 vezes nesse ano.

Ainda pelo relatório Focus as previsões do resultado primários foram, 2024 de -0,67% do PIB, 2025 de -0,68%, 2026 de -0,50% e 2027 de -0,23%.

Abaixo quadro de projeção do IPCA para os próximos 3 meses, conforme relatório FOCUS para eventuais cálculos de projeções.

Abaixo, para efeito de consultas, a coluna divulga a partir desta semana o quadro de indicadores econômicos e índices.

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Marcos Freitas Pereira 

Natural de São Paulo, acumula mais de 40 anos de experiência no mercado. Doutorando em Turismo, Mestre em Finanças e economista. Fundador e atual sócio da AM Investimentos e Participações que investe em clínicas médicas, turismo, gastronomia e lazer e entretenimento. Foi também fundador da WAM Brasil maior comercializadora de multipropriedade turismo imobiliário do mundo.

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